Rentabilidade elevada, mas baixa alocação: a contradição nos investimentos estruturados e internacionais das EFPCs

Os dados do Estudo Comparativo de Desempenho – Julho de 2025, elaborado pela Aditus Consultoria Financeira, revelam um aspecto recorrente no portfólio das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs): as classes de investimentos com os melhores desempenhos são justamente aquelas que concentram a menor parcela dos recursos alocados. Em particular, destacam-se os investimentos no exterior e os fundos estruturados, que apresentaram as maiores medianas de rentabilidade no acumulado do ano e em 12 meses.

No entanto, mesmo com resultados robustos — superiores a 12% no caso da Renda Variável Internacional —, essas categorias permanecem com representatividade modesta nas carteiras dos planos. De acordo com a análise por segmento, os investimentos estruturados responderam por menos de 5% da alocação total, enquanto os ativos no exterior não superaram 2% em média. O cenário é semelhante nos perfis de investimentos, mesmo nos mais agressivos (G3), onde a alocação internacional se manteve abaixo de 5%.

Essa assimetria sugere uma oportunidade ainda subaproveitada. “É uma pena que as melhores fontes de retorno estejam entre as menos exploradas”, afirmam especialistas do setor. A baixa exposição pode ser explicada por fatores como restrições regulatórias, maior complexidade operacional e percepção de risco, mas os números reforçam a necessidade de reavaliar as estratégias de diversificação.

Renda Fixa segue predominante

A Renda Fixa continua a liderar a composição das carteiras, com mais de 88% de participação nos segmentos BD, CD e CV. Mesmo diante de um ambiente macroeconômico de alta volatilidade, os fundos de Renda Fixa Tradicional e Renda Fixa Inflação apresentaram rentabilidades consistentes. Em julho, essas classes entregaram 1,27% e 0,82%, respectivamente. No acumulado do ano, a Renda Fixa Tradicional rendeu 7,80%, superando o CDI de 7,77% no mesmo período.

Também se destacou a classe de Crédito Multimercado EFPC, com desempenho de 1,32% no mês e 7,07% no ano. Essa categoria tem ganhado espaço por aliar segurança a retornos competitivos, dentro dos limites regulatórios aplicáveis às EFPCs.

Renda Variável impacta negativamente os resultados

Em sentido oposto, os investimentos em Renda Variável sofreram perdas significativas em julho. A Renda Variável Ativa teve retorno de -4,42%, e a Passiva, de -4,06%, refletindo o desempenho negativo do Ibovespa no mês (-4,17%). A volatilidade interna, agravada por incertezas políticas e econômicas, contribuiu para a retração nos preços dos ativos.

Apesar das perdas mensais, o acumulado de 12 meses ainda apresenta resultados positivos em algumas estratégias de Renda Variável, especialmente aquelas com exposição internacional.

Planos CD apresentam melhor desempenho no ano

Entre os segmentos de planos, os do tipo Contribuição Definida (CD) continuam a apresentar desempenho superior em 2025. A mediana da rentabilidade dos planos CD no acumulado do ano foi de 7,67%, superando os planos BD (7,08%) e CV (7,46%). A performance se deve, em parte, à maior flexibilidade de alocação e à diversificação mais ampla em classes como Crédito e Exterior.

No entanto, a rentabilidade consolidada ainda encontra dificuldades para superar as metas atuariais. Em 2025, apenas 56% dos planos superaram suas metas no acumulado do ano, número que cai para 34% quando observados os últimos 36 meses.

Conclusão

O levantamento da Aditus reforça a importância da diversificação e da gestão ativa nas carteiras das EFPCs. O desempenho expressivo de classes com baixa alocação, como estruturados e exterior, revela um potencial ainda pouco explorado. Ao mesmo tempo, a predominância da Renda Fixa oferece estabilidade, mas pode limitar os ganhos em um cenário de juros em trajetória descendente.

Frente ao cenário macroeconômico desafiador, uma reflexão estratégica sobre alocação de ativos se impõe. A busca por equilíbrio entre segurança, rentabilidade e cumprimento das metas atuariais deve permanecer no centro das decisões das entidades gestoras.

Para acessar o estudo completo da Aditus, clique aqui.


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