A linguagem do Copom e os sinais do fim do ciclo de alta

Desde a criação do Comitê de Política Monetária (Copom), no final da década de 1990, os comunicados e atas passaram a ser instrumentos fundamentais não apenas para divulgar as decisões de política monetária, mas também para orientar as expectativas do mercado. Muito além de informar se a taxa básica de juros, a Selic, foi mantida ou alterada, esses documentos carregam nuances de tom, sintaxe e vocabulário que servem como guia para agentes econômicos e analistas.

Ao longo de mais de duas décadas, a comunicação evoluiu: no início dos anos 2000, o Copom se limitava a registrar decisões de forma concisa; já na década de 2010, ganhou sofisticação, incorporando projeções de inflação, balanço de riscos e menções mais diretas ao cenário fiscal e internacional. Esse amadurecimento culminou no papel central que os comunicados exerceram durante a pandemia e no ciclo de aperto monetário subsequente.

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Incentivos: quando a solução vira problema

Um dos livros mais instigantes para quem gosta de entender o comportamento humano sob a lente da economia é o Freakonomics, de Steven Levitt e Stephen Dubner. A obra parte de uma premissa simples e poderosa: os incentivos são a base de praticamente todas as escolhas humanas. O professor que cola a resposta para que sua turma tenha melhor desempenho no teste padronizado, o caçador de ratos na Índia que, remunerado por cada cauda entregue, começa a criar ratos para depois matá-los e lucrar, ou ainda a polícia que, pressionada por estatísticas de criminalidade, “maquia” números em vez de combater o problema real. Todos esses casos revelam o mesmo padrão: quando o incentivo é mal desenhado, ele leva a comportamentos inesperados — e muitas vezes contrários ao objetivo inicial.

Esse fenômeno é chamado de incentivo perverso ou incentivo errado. Ele nasce quando uma política pública, um desenho regulatório ou mesmo uma prática empresarial cria motivações que parecem eficientes no papel, mas que, na prática, distorcem a realidade e acabam gerando resultados nocivos.

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Rentabilidade elevada, mas baixa alocação: a contradição nos investimentos estruturados e internacionais das EFPCs

Os dados do Estudo Comparativo de Desempenho – Julho de 2025, elaborado pela Aditus Consultoria Financeira, revelam um aspecto recorrente no portfólio das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs): as classes de investimentos com os melhores desempenhos são justamente aquelas que concentram a menor parcela dos recursos alocados. Em particular, destacam-se os investimentos no exterior e os fundos estruturados, que apresentaram as maiores medianas de rentabilidade no acumulado do ano e em 12 meses.

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Forma Importa!


A BOLSA ESTÁ REALMENTE BARATA OU A FARIA LIMA É OTIMISTA DEMAIS? | Second Level Podcast #6

Neste episódio do Second Level Podcast (do Samuel Ponsoni com o Market Makers), João Braga, sócio e analista da Encore Asset, desafia uma das maiores “verdades” do mercado financeiro. Ele explica por que a visão de curtíssimo prazo que domina os investidores hoje abre o que ele considera a arbitragem mais fácil de sua carreira: a arbitragem temporal.

Mas eu quero chamar a sua atenção aqui para algo que eu falo há muito tempo: FORMA IMPORTA. Olha como o Braga teve a oportunidade de ser sombra do Luis Stuhlberger, da Verde Asset.

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“A Ascensão do Dinheiro: A História Financeira do Mundo”

O livro “A Ascensão do Dinheiro: A História Financeira do Mundo”, escrito pelo renomado historiador econômico Niall Ferguson, explora detalhadamente a origem e a evolução das finanças, revelando como o dinheiro moldou sociedades, guerras e revoluções ao longo dos séculos. Com uma abordagem clara e envolvente, Ferguson desvenda desde os primórdios das transações comerciais até o complexo sistema financeiro global atual. O sucesso e a relevância da obra levaram à sua adaptação em um documentário produzido pela BBC, trazendo vida e profundidade visual aos conceitos discutidos no livro.

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Risco pode diminuir com maior diversificação, diz PREVIC sobre Resolução CMN

Autarquia apresentou as principais mudanças durante transmissão pela rede social Youtube

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Conversas Presidenciais

“Quando você se viu sozinho no gabinete da Presidência do BC pela primeira vez, o que passou pela sua cabeça?” – Gabriel Galípolo.

O Banco Central lançou uma séria de 10 vídeos, em seu canal do youtube, chamado Conversas Presidenciais, onde, Gabriel Galípolo, atual presidente do BC, e ex-presidentes da instituição conversam sobre os desafios, os momentos difíceis, as alegrias e a experiência de cada um à frente do Banco Central.

Vale assistir para conhecer um pouco mais da nossa história.

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Precisamos aprender a LER Brasília e não a OUVIR Brasília

Já faz algum tempo que eu venho comentando isso aqui com a Faria Lima. Os gestores de recursos tem de aprender a Ler Brasília e não a Ouvir Brasília.

O que isso quer dizer: existe muito ruído na comunicação. E isso não é por um problema técnico. Isso se deve ao fato de que o incumbente “tem de jogar para a torcida”. O que não necessariamente é o que está sendo feito “no papel”.

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Como Pensar Sobre Risco: Lições de Howard Marks

Em sua reflexão mais abrangente sobre risco até hoje, Howard Marks — cofundador da Oaktree Capital e uma das vozes mais respeitadas do mercado — aprofunda o conceito de risco de maneira que vai muito além da volatilidade ou do desvio-padrão. Em uma série de vídeos publicada no canal da Oaktree no youtube, Marks argumenta que risco verdadeiro é a possibilidade de perdas permanentes de capital, e não apenas oscilações momentâneas nos preços dos ativos.

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