Um dos livros mais instigantes para quem gosta de entender o comportamento humano sob a lente da economia é o Freakonomics, de Steven Levitt e Stephen Dubner. A obra parte de uma premissa simples e poderosa: os incentivos são a base de praticamente todas as escolhas humanas. O professor que cola a resposta para que sua turma tenha melhor desempenho no teste padronizado, o caçador de ratos na Índia que, remunerado por cada cauda entregue, começa a criar ratos para depois matá-los e lucrar, ou ainda a polícia que, pressionada por estatísticas de criminalidade, “maquia” números em vez de combater o problema real. Todos esses casos revelam o mesmo padrão: quando o incentivo é mal desenhado, ele leva a comportamentos inesperados — e muitas vezes contrários ao objetivo inicial.
Esse fenômeno é chamado de incentivo perverso ou incentivo errado. Ele nasce quando uma política pública, um desenho regulatório ou mesmo uma prática empresarial cria motivações que parecem eficientes no papel, mas que, na prática, distorcem a realidade e acabam gerando resultados nocivos.
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